terça-feira, 29 de maio de 2012

Copa 2014: Escolas discutem futuro das quadras

Foto: Leonardo Contursi, PMCA


Apesar das garantias de que as escolas de samba localizadas nos entornos do Estádio Beira-Rio não sofram prejuízos em função das obras para a Copa do Mundo de 2014 (leia aqui), a indefinição quanto ao futuro das quadras de Imperadores do Samba, Praiana, Banda Itinerante e Saldanha inquieta dirigentes.

— Queremos acreditar na promessa do prefeito de mantê-las na área próxima ao estádio. Mas temos de acertar no papel. As escolas não conhecem o projeto, as entidades estão cheias de dúvidas e preocupadas — afirmou Victor Hugo Amaro, presidente da Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do RS (AECPARS).

A declaração foi feita durante reunião realizada na Câmara de Vereadores nesta terça, dia 29, com representantes da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) e do Internacional. O encontro, que contou ainda com a presença do coordenador das Manifestações Populares, Joaquim Lucena, foi promovido justamente para discutir o projeto de reforma e o que será feito com as agremiações.

Mas por que há apreensão?
Presidente Victor Hugo, da AECPARS, defende os interesses das entidades 

Mais do que as incertezas das entidades sobre o que prevê o projeto do Complexo Cultural Gigante para Sempre, a falta de avanço nas negociações é o que preocupa.

A morosidade se deve a um entrave judicial que já se arrasta há dois anos, explica o presidente Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece), professor Garcia:
— O obstáculo é a utilização de um terreno onde a prefeitura tem a intenção de colocar  Imperadores do Samba para transferir a Praiana e as duas bandas para o espaço onde atualmente está a Imperadores.

A Justiça ainda avalia a desocupação desse terreno, vizinho ao Beira-Rio e onde funciona uma lavagem. Devido a essa indefinição sobra áreas disponíveis, existem apenas anteprojetos para as sedes dos carnavalescos, conforme explicam Hélio Giaretta Júnior (gerente de Patrimônio do Inter) e o engenheiro Ronaldo Bolognesi. 

O que dizem os presidentes
"Se não temos um cronograma das obras, como vamos nos organizar? Quanto tempo ficaremos sem nossas quadras? Tudo está muito vago", disse Luiz Carlos Amorim (foto), dos Imperadores, ao lembrar que as escolas dependem de suas quadras para arrecadar recursos.

Para Diogo Fonseca, da Saldanha, falta informação concreta sobre a transferência:
"Só pode haver remoção depois da conclusão das novas quadras."

Discurso reforçado pelo representante da Itinerante, João Batista Diogo:
"O tempo está passando e não há definição dos projetos para a área dos carnavalescos. Fazemos reuniões há dois anos. Já está chovendo no molhado. A Copa está aí!"

Miro Leal, da Academia de Samba Praiana, cobra respostas:
"Queremos posições concretas. As entidades devem 
conhecer os anteprojeto do Inter que estão com o Executivo."

O que dizem autoridades
— O governo municipal não está de braços cruzados e ninguém será transferido enquanto não houver projeto definitivo. O Inter tem quatro anteprojetos. O que falta são as escolas de samba e as bandas avaliarem as propostas — diz José Mocellin, secretário-adjunto da Secopa.

Engenheiro da Secopa, Nilmar Faccin prometeu chamar os carnavalescos para conhecer o projeto:
— As necessidades de cada um serão contempladas. A grande dificuldade para mudança das entidades é mesmo a falta de decisão judicial sobre o terreno da lavagem de carros. Entendemos a apreensão, mas, para um projeto definitivo, é preciso a definição da área.

O vice-presidente da Cece, vereador DJ Cassiá (PTB), propôs que membros das entidades carnavalescas possam participar do Grupo de Trabalho sobre as obras para a Copa do Mundo montado pelo Executivo. — As escolas precisam saber de todo o andamento dos projetos.

Uma nova reunião será realizada no dia 3 de julho, quando o Inter deverá apresentar uma proposta mais elaborada.

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