domingo, 9 de dezembro de 2012

A estreia da coluna "O Escrivão Real"

Dando sequência à publicação das colunas que o Baticumbum passa a dividir com os leitores (leia aqui), o segundo novo blogueiro a ter seu texto publicado é Humberto Macedo, que aparecerá aqui sem prazo fixo, já que ele é o responsável por trazer as notícias da Corte.

Em sua estreia, ele se apresenta e faz uma entrevista com o rei momo Fábio Verçoza, que nos próximos dias terá uma nova corte reinando com ele no Carnaval de 2013 (conheça as candidatas). 


É quase impossível explicar o que sinto em relação ao Carnaval de Porto Alegre. Não me pergunte nada de técnico sobre desfiles, baterias, coreografias ou fantasias. Não vou saber explicar o material do abre-alas de não sei qual ano ou avaliar o desempenho bateria. O que me move não são os detalhes técnicos. 

Pergunte-me, sim, o que sinto quando vejo minha escola passar na avenida. Indague sobre a emoção de ser apresentado a um pavilhão, me questione se vi o olhar de cumplicidade entre o mestre-sala e a porta-bandeira... Carnaval, para mim, é sentimento, emoção e magia! Talvez seja assim porque sou um neófito da folia e ainda tenha muito o que aprender. Mas é com esse olhar curioso, de um novato, que eu faço minhas descobertas. Como bom aquariano, iealista, ansioso, inquieto e claro utópico.

Mas por que falei tanto sobre mim? Porque recebi uma missão especial: serei o Escrivão Real do Baticumbum! A partir de agora, vou acompanhar a agenda da Corte de Porto Alegre. Logo eu, que sou um admirador incondicional do trabalho de nosso Rei Momo Fábio Verçoza! Devo confessar que estou muito feliz e me sinto confortável com a missão.

A nossa corte é “Sui Generis” em relação a outras do país, pois realiza seu trabalho o ano todo e representa, com dignidade, a cultura do Carnaval em diversos setores da sociedade. Como vocês poderão comprovar por aqui, a corte não para.
Vamos dar espaço para que as soberanas que já passaram suas faixas abram seus baús, e seus corações, e falem suas experiências na corte. Também teremos um cantinho para você enviar sua experiência com a corte, em fotos, vídeos ou relatos. Ou seja, assunto não faltará. Vamos à entrevista que fiz com ele, pouco antes de ser jurado do concurso Rainha de Ébano. 

Como foi a sua exposição sobre o Carnaval de Porto Alegre?
Verçoza — Superou todas as minhas expectativas, principalmente pela questão de público. Eu estava meio receoso em relação à localização do shopping 5ª Avenida, pois é um bairro de moradores que não adeptos de Carnaval. Achei bárbaro o fluxo de pessoas que são da própria região do Moinhos de Vento. Praticamente todos os dias eu via pessoas que nunca tinham tido contato com o Carnaval vivendo um primeiro contato com fantasias.  

Outra coisa legal da exposição — e aí entra a questão da inclusão, embora eu não goste de usar essa palavra porque não temos poder ou direito de incluir ninguém, já que o ser humano faz parte de um todo —  foi a parte dos deficientes visuais. Anunciei na mídia que estaria fazendo áudio-descrição e tivemos oito, dez deficientes visuais por dia indo lá ter esse contato. Como as fantasias são minhas, eu pegava a mão de cegos para eles tocarem, "verem" as fantasias.

Mas me surpreendeu o pessoal de Carnaval não ter frequentado a exposição tanto quanto esperava. Entendo que o horário era complicado, entendo uma série de coisas, mas acho que nós, carnavalescos, temos que estimular o público. Assim como a gente acaba se resumindo a guetos, e frequentar exposições, teatro e deixar marcado que nós também frequentamos este tipo de lugar. 

E os novos projetos?
Verçoza —  A partir da 1ª exposição, me veio uma 2ª ideia. Apareceu uma canadense que me perguntou onde ela poderia ver Escolas de Samba. Aí me dei conta de que não existe uma forma organizada de informações sobre os ensaios das escolas de samba. Temos um produto de qualidade, que é o Carnaval, mas esse nosso produto não está visível a pessoas que não sejam do próprio segmento. O erro é nosso, nós que não sabemos expor o nosso produto, que é maravilhoso. Por que não temos um Caminho do Samba?
Eu acho que ideias não podem ficar guardadas em gavetas. O pontapé inicial para essa organização será uma nova exposição, saindo do Museu Joaquim José Felizardo, na Cidade Baixa e, a partir dali, farei um roteiro de locais onde teremos objetos e elementos do carnaval. E aí entra o circuito de hoteis. Teremos fantasias e catálogos ou panfletos informativos em português, outras línguas e braile.

Às segundas de janeiro, por exemplo, a corte vai tomar café da manhã com os turistas hospedados. E vou tentar fazer isso em mais hotéis.


E não temos como aproveitar a linha turismo?
Verçoza — Com certeza a minha ideia é sempre fazer um pouquinho mais, sempre á frente. Ainda não falei com o Secretário do Turismo, mas acredito que ele abraçará a ideia. 


E os Programas de TV?
Verçoza — O Sambagé e o Samba Total me procuraram para ter quadros em seus programas. Falei para ambos que não posso ter exclusividade com ninguém. Até porque isso também é o papel do Rei Momo, estar disponível para divulgar o Carnaval. 
No Bagé, surgiu uma ideia. No nosso segmento de Carnaval, não temos coluna social. Eu vou fazer um trabalho de colunista social do carnaval, eu dei o meu e-mail, que é cortecarnaval@gmail.com, quando houver uma formatura, um casamento... aí eu vou comentar no programa, mostrar fotografias e imagens. Nós vamos criar o nosso espaço social para mostrar para as pessoas.Até lá!

2 comentários:

Luis Fernando Lima disse...

Meu Rei como sempre brilhante; mas, porque o PODER PÚBLICO NÃO INVESTE NA DIVULGAÇÃO DE NOSSA FESTA?? SERÁ Q QUEM ESTÁ LÁ PENSA COMO NÓS?? SEM CONTAR O ABANDONO DO "DITO" COMPLEXO!! ACHO Q É HORA DE NÓS ASSUMIR-MOS O Q É NOSSO!! CARNAVAL É CULTURA!! AZAR DE QUEM NÃO GOSTA!!

Ulisses Duarte disse...

Gostei muito da coluna e, principalmente, sou fã do trabalho do nosso rei momo. Acho ele um cara fantástico, astuto, muito identificado com o carnaval e grande militante da festa.
Tenho a mesma impressão dele, quando ele diz: "Temos um produto de qualidade, que é o Carnaval, mas esse nosso produto não está visível a pessoas que não sejam do próprio segmentoTemos um produto de qualidade, que é o Carnaval, mas esse nosso produto não está visível a pessoas que não sejam do próprio segmento". Só adicionaria, temos um produto que PODE ser de qualidade.
Tenho e tive muitos amigos e colegas estrangeiros muito interessados em participar e visitar as Escolas de Samba. É muito mais fácil levar um italiano, um angolano, um estado unidense ou um argentino nas nossas quadras e desfiles do que alguns estratos sociais de Porto Alegre.
Há escasso material de informação, seja na internet, e menos ainda, agências ou guias para as visitas às quadras, no caso de turistas ocasionais na cidade.
Acho que neste caso, o problema é mais da falta de iniciativa das Escolas de Samba, do que do próprio poder público. Concordo totalmente com o Verçoza, são necessárias ações dos próprios sambistas e carnavalescos, ante a morosidade dos governos municipais e estaduais.