sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Enredos na estreia da coluna 'Na Arquibancada'


A literatura caiu no samba

Desci da arquibancada para comentar sobre um tema legal: a ousadia na proposta de sambas enredos. Conceituados formadores de opinião, críticos de arte e afins são categóricos ao afirmar que o batuque dos tambores, o gingado das mulatas, a criatividade nas fantasias, o canto de todas as alas, sambas enredos com vida e originalidade, não representam a arte popular na dimensão como é defendida por aqueles que vivem, festejam ou celebram o Carnaval nosso de todos os anos.

Concordo que, em muitos casos e em edições passadas, as propostas de temas passaram por homenagens a cidades, fatos históricos ou temáticos que buscavam apoio financeiro de grande porte, afinal, custa muito dinheiro colocar a GRANDE ÓPERA na rua. Enfim, os motivos de minha empolgação são os temas propostos para 2014, um Brasil direto na cabeça, no coração e na alma.

Falar de literatura, de Luis Fernando Veríssimo (Imperadores do Samba), Moacyr Scliar (Bambas da Orgia), Mario Quintana (Vila Mapa), o Pequeno Príncipe (Praiana), da arte e da música, Elis Regina (Estado Maior da Restinga) e por que não comentar Política, sambando e apropriando-se da vida e obra de Luiz Carlos Prestes (Imperatriz Leopoldina).

Então tá feito o desafio aos dirigentes e gestores-mor das agremiações: enquanto carnavalesco e temista discutem as fantasias, as alegorias, os carros, os destaques, o samba, a harmonia musical a ser adotada, por que não estimular grupos de simpatizantes, carnavalescos, sambistas e passistas a criarem espaços de leitura nas Escolas de Samba?? Um bom momento para o estímulo à criação de espaços e oficinas literárias nos ambientes carnavalescos, não acham??

Certamente, tais ações colaborariam para estimularmos o hábito de leitura, uma melhor performance na avenida a partir do canto do samba-enredo e de fragmentos da obra do literário. Eu não tenho dúvidas disso.

Voltando para a arquibancada.... Beijos a todos, do Armazém do Seu Brasil

2 comentários:

Alex Rocha disse...

Talvez assim se criem até mesmo novos compositores, ricos em textos e ideias! E o Carnaval continue com enredos bem elaborados e assuntos variados!!

Carlos A. K. Hoffmann disse...

Samba também é literatura!!!
Isto é fazer da cultura um trampolim para ela própria, em outras matizes. Carnaval é muito mais que maraca e mulata. Vamos ampliar os horizontes! Parabéns Edinho!