sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Na arquibancada: o peso da folia


Desci da arquibancada para falar sobre a figura de um rei Momo...

Em 2010 escrevi para o site cultural “Levada do Samuka”, de autoria do publicitário, gremista ousado e cavaquinista Samuka Guedes um texto sobre os reis momos do Carnaval Brasileiro.

A matéria apresentava um pouco da história do posto da nobreza momesca, do início da tradição em Porto Alegre, da polêmica escolha do Momo baiano em 2008 e seu peso, do papel do símbolo maior na festa popular do Brasil e algum comentário sobre a atual celebridade do Carnaval Portoalegrense.

O início de tudo? Segundo o estudioso em samba e Carnaval Hiran Araújo, que aprofundou suas leituras na mitologia greco-romana, a figura do Rei Momo gordo baseia-se no contraste fartura da carne de domingo no Carnaval com o jejum na quaresma, e que pôde acompanhar a teoria da religião católica que adotava um Rei Momo magro como símbolo. Nas saturnálias romanas (festas em homenagem ao Deus Saturno), a figura do Rei existia e era escolhida entre o soldado mais belo que, depois, era sacrificado. Portanto, acompanhando seus estudos, o Rei Momo do Carnaval deveria ser magro.

A polêmica do Carnaval baiano? Em 2008, em Salvador, o comerciante popular Clarindo Silva assumiu o posto de Rei Momo, com apenas 58 quilos. Tal fato causou um verdadeiro rebuliço, pois chegavam protestos de todos os lados, inclusive dos gordinhos da cidade. Após muita confusão sobre o “peso da nobreza”, tudo voltaria ao normal. Em 2009, quando a aposta passou a ser em um nome popular, o escolhido foi o cantor e compositor Geronimo. Em 2010, o escolhido foi o cantor e mago das guitarras Pepeu Gomes. Em 2012 e 2013, o escolhido por votação direta foi o simpático e “rechonchudo” Leandro dos Santos, 30 anos, mais conhecido como "Léo Boy". Com 138 kg distribuídos em 1,85 m, o agente comunitário de saúde venceu 13 candidatos em disputa realizada na Praça Municipal. Ele conquistou 247 votos. 

Verçoza e Lelé - Foto: André Gomes
E aqui na Cidade Sorriso? Antes de 1960, não existia Rei Momo, Rainha, Princesas do Carnaval. Cada bloco tinha a sua própria “realeza”. Em Porto Alegre, na década de 30, o Rei Momo era um boneco que representava a figura do fanfarrão, que não trabalhava e vivia para festas. O boneco se tornou símbolo dos desfiles até virar gente. Anos depois, surgiram os “soberanos” Lelé e Macalé, que animavam os carnavais nos bairros da cidade. Mas o maior Rei Momo de todos os tempos na Capital foi Vicente Rao, o personagem da folia, o maior mito do Carnaval de Porto Alegre, que reinou durante 22 anos (entre 1950 a 1972). Alguns nomes mais contemporâneos como Silvio Lunardi (o Miudinho) e o Frotinha também deixaram suas marcas.  

Atualmente, o guardião da coroa e de tudo que envolve o ziriguidum das festas de Momo é o simpático e incansável carnavalesco Fábio Verçoza, que divide suas atividades entre os muitos projetos sociais em que se envolve, assim como os diferentes e importantes “aglomerados” culturais de nossa cidade. Assim circula, por onde passa, com simpatia e generosidade compartilhando seus conhecimentos de cultura, de advogado, de professor, de artista e de inquieto agitador cultural, transferindo seu carinho e sua contribuição a qualquer grupo ou pessoa que dele se aproximar.


A maior festa popular brasileira está muito representada. Eu GARANTO! Sabem por que? No meu entendimento, muito simples. Sobra humildade e gentileza no moço. Certo dia, quando o abordei na esquina da Independência com a Barros Cassal para falar de algumas ideias e projetos culturais, mesmo atrasado para um compromisso profissional na Secretaria da Cultura, disponibilizou um bom tempo para ouvir meu relato. E, assim, já testemunhei situações parecidas quando presenciei o Fábio conversando com a mesma empolgação sobre cultura e Carnaval com a baiana que acompanhava sua netinha no ensaio da Escola do coração, da mesma forma que conversava com um Gestor Público da Cidade.

Então a receita tá lançada: Quer ser rei de alguma coisa? Siga os exemplos do Fábio Verçoza. Seja gordo, seja magro, famoso ou anônimo... O importante é manter a alegria, o respeito ao outro, alto astral e toda a vibração que tamborins, passistas, mestres-salas e tudo de belo que cerca a grande festa popular que é o Carnaval.

Salve Majestade da Folia. Voltei para a arquibancada.
Edinho Silva – do Baticumbum e do armazemdoseubrasil.blogspot.com

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