sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Na arquibancada: Só sei que nada sei...


Descendo da arquibancada...para propor um pouco de filosofia a meus leitores, amigos e parceiros do Baticumbum.

Pois então, quando ouvi pela primeira vez a expressão "Só sei que nada sei", frase atribuida a Sócrates, o filósofo grego, nascido em Atenas, provavelmente no ano de 470 aC, considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e inteligentes, achei um certo exagero. Ora bolas, como encarar a vida assim. Se estudei, segui orientações, agi com disciplina, fui testado com experimentações e situações que antes não dominava e acabei me saindo bem, depois de algum empenho. Como explica-se não saber nada então??

Simples. Não sabia mesmo. Depois de percorrrer os mais diferentes ensaios de Carnaval e quadras da Cidade. Ouvir o Dodô cantar os sambas nos Acadêmicos, me embalar com a empolgação do Jajá (suas máscaras e assemelhados na Praiana), as manifestações alegres e descompromissadas das tribos de Porto Alegre (os Tapuias, Comanches, Guaianazes, Navajos) e apreciar os movimentos no Força e Luz, com os Bambas, os Imperadores vibrando com o Povo meu um belo dia, cercado por cervejas geladas e um animado papo com amigos intimamente ligados ao Carnaval resolvi "dar um pitaco" sobre Carnaval, os resultados e atuação dos jurados (julgadores).

Muitos dos presentes não sabiam da minha relação de amizade com muitas pessoas do meio, portanto, ficaram, na ótica deles, liberados para "sentar o pé e descer a lenha". As expressões eram as mais contundentes - "Como tu te atreve a comentar sobre um assunto que não dominas ou não te pertence??". Sabem por que? Na oportunidade, afirmei que, para atribuir notas máximas para todas as escolas não precisava qualificação nem, tempouco, trazer julgadores de fora. Em 2004, decidi silenciosamente procurar a AECPARS e me matricular num curso de julgadores de Carnaval. Baita negócio. Conheci Maestro Motta, tive aulas com Deoclécio de Souza, noções inesquecíveis sobre os destaques com o Zé Cartola, o Roberto falando sobre regulamentos e pude ainda reencontrar meu amigo pessoal Claudinho Macedo, na época compositor de sambas enredos ao lado do Arilson Trindade. As aulas foram muito produtivas e pude observar o Carnaval e a cultura popular de uma outra forma.

O que pretendo ao propor um filósofo básico em nossas reflexões sobre Carnaval e Cultura popular? Simples. Além da emoção das batucadas, da beleza das fantasias, da proposta de agregar pessoas com interesses comuns é extremamente necessário que nos aproximemos de toda a ação proposta para aprendizado. Em Porto Alegre, existem grupos organizados que compartilham conhecimentos com todo o público interessado.

O CETE, por exemplo é uma boa proposta de troca de vivências. Há algum tempo atrás, o estudioso e carnavalesco por paixão, Álvaro Machado, propos uma qualificação de altíssimo nível formando gestores de Carnaval. Fácil tudo isso?? Não nada fácil, porém fundamental para uma melhor compreensão de tudo que cerca o tema, afinal se desejamos que as decisões, as representações e os conhecimentos tenham suas cadeiras trocadas, ou num legítimo processo de alternância com todas as novas entidades que nascem diariamente é fundamental buscar o CONHECIMENTO.

Através da ginga e do tambor o carnvalesco busca sua alegria e prazer. E o filósofo?? Em seus pensamentos, demonstra uma necessidade grande de levar o conhecimento para todas as pessoas para uma melhor compreensão da vida, sobre as coisas do o mundo e do ser humano. E parafraseando o moço do início do texto: "Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância". E volta para arquibancada, na companhia de Sócrates.

Abraços a todos, boa leitura, curtam o armazemdoseubrasil.blogspot.com (ano III) e ouçam o programa na www.radioestacaoweb.com , todos os domingos, das 13h às 15h.

Edinho Silva - do Baticumbum para o mundo...

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