sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Na Arquibancada: terapia do tambor


Descendo da arquibancada para compartilhar um sentimento que ecoa no corpo, transpira na pele e retumba direto no coração. Estou falando do som dos instrumentos musicais e de toda a parafernália que "habita" as baterias de escolas de samba. Seus ritmistas e suas peças de trabalho são verdadeiros artistas ao serem acionados.

Por algum tempo, busquei descobrir o que mais me atraia no Carnaval. Seria beleza e originalidade das fantasias?? Desenvoltura e ginga dos passistas?? A empolgação e a afinação dos puxadores (ou intérpretes, como dizia o Jamelão) e seus volumosos grupos de harmonia?? Ou a criatividade do carnavalesco em desenvolver o tema proposto pelo temista?? Não. Descobri que o que mexe comigo mesmo é a verdadeira "explosão interna" de emoção e prazer ao ouvir o som das batucadas. O coletivo de instrumentos acionados harmonicamente produzem um efeito nas pessoas, quase indescritível. Não conheço ninguém que tenha ficado imóvel ao lado de uma cozinha de escola de samba.

Por questões logísticas e econômicas, não consegui acompanhar de perto a bateria do saudoso Mestre André (Mocidade Independente de Padre Miguel), suas ousadas paradinhas. Nem a do Mestre Ciça ou do Loro, do Salgueiro e tantos outros bambas do Carnaval carioca. Entretanto, estive muito perto da bateria do Mestre Caloca, na Praiana, seus instrumentos percussivos e seus sopapos. Dos talentosos Nery Caveira (Imperadores do samba) e Nilton Deoclides (Bambas da orgia). Por que referi os dois?? Não considero nenhum demérito não citar outros nomes, mas confesso que, NUNCA mais cruzou meus ouvidos o que estes "homis" faziam. Enquanto um introduzia e apresentava com charme o BOLERO de Ravel na vermelho e branco, o outro no Força e Luz, sentindo-se provocado vinha com arranjos de Barry White. Era muita categoria e talento no ar.

Atualmente, Porto Alegre seguindo uma tendencia que cresce no Brasil recebe o ressurgimento dos blocos de rua e cordões de sociedades e clubes. A função rola nos parques das cidades e agrega pessoas de diferentes origens. Eu já fiz a minha opção. Fui convidado para integrar a ZIRIGUIDUM Batucada Social Clube e, juntamente com professores, profissionais liberais, policiais, academicos, estudantes, donas de casa, funcionários públicos, pessoas comuns acionarmos nossos "brinquedos percussivos" e tomar as ruas num clima de euforia e descontração. Confesso que minha coordenação motora não ajuda muito, mas a paciencia dos mestres Márcio e Luiz Jaka favorecem muito o aprendizado. Acrescido com os demais parceiros das cordas do bloco a energia que rola é sempre garantida.

Sabem a endorfina liberada depois de um treino puxado na academia, ou uma reconfortante sessão de terapia?? Participar de qualquer função próxima a uma batucada tem a mesma função que um cartão de crédito, simplesmente NÃO TEM PREÇO. Meu carinho e respeito a todos os mestres de bateria do Brasil e, principalmente, aos da tribo - a dupla de Sandro Gravador e Brinco, Chiquinho, Biscui, Aruanda Jr, Boneco, Estevão, Guto e todos aqueles que não foram lembrados e que de alguma forma são os responsáveis pela alegria, descontração e energia nas quadras, ruas e avenidas. Simples. Arrebenta, bateriaaaaa!!

Voltando para a arquibancada...e convidando para as comemorações do aniversário do Armazém do seu Brasil, que rolam no dia 27/10, o samba de nego véio invadindo o Clube Silencio (João Alfredo, 449 - Cidade Baixa).

Vamos?? Até a próxima semana. Beijos a todos.

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